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Introdução
às Boas Práticas de Manutenção
"No
competitivo mercado de produtos alimentícios, a qualidade
dos produtos deixou de ser uma vantagem competitiva e se tornou
requisito fundamental para a comercialização dos produtos.
Uma das formas para se atingir um alto padrão de qualidade
é a implantação do Programa de Boas Práticas
de Fabricação - BPF. Composto por um conjunto de princípios
e regras para o correto manuseio de alimentos, que abrange desde
as matérias-primas até o produto final, o principal
objetivo do programa é garantir a integridade do alimento
e a saúde do consumidor.
As
normas que estabelecem as chamadas Boas Práticas de Fabricação
- BPF envolvem requisitos fundamentais que vão desde as instalações
da indústria, passando por rigorosas regras de higiene pessoal
e limpeza do local de trabalho (tais como lavagem correta e freqüente
das mãos, utilização adequada dos uniformes,
disposição correta de todo o material utilizado nos
banheiros e o uso de sanitizantes) até a descrição,
por escrito, dos procedimentos envolvidos no processamento do produto.
Gerências, chefias e supervisão devem estar totalmente
engajadas para o êxito do programa, pois o planejamento, organização,
controle e direção de todo o sistema depende destes
profissionais. Sendo necessários investimentos para a adequação
das não-conformidades detectadas nas instalações
e nas ações de motivação dos funcionários,
o comprometimento da alta administração torna-se fundamental.
As
Boas Práticas de Fabricação são obrigatórias
pela legislação brasileira, para todas as indústrias
de alimentos, e as portarias 326/97 e 368/97, do Ministério
da Saúde, estabelecem o "Regulamento Técnico
sobre as Condições Higiênico-Sanitárias
e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos
Produtores de Alimentos".
Fundamentos
Os fundamentos das Boas Práticas de Fabricação
(BPF) são simples. Eles compreendem quatro práticas:
-
Exclusão de microrganismos indesejáveis e material
estranho;
- Remoção de microrganismos indesejáveis e
material estranho;
- Inibição de microrganismos indesejáveis;
- Destruição de microrganismos indesejáveis.
A
invisibilidade dos microrganismos e de alguns materiais estranhos
propõe a necessidade por mudanças para a implementação
efetiva destas práticas simples.
Exclusão
é uma prática muito desejada e efetiva. Microrganismos
ou material estranho excluídos não ameaçam
a segurança ou salubridade do produto. Exemplos de exclusão
incluem os sistemas sanitários de ordenha mecânica
em circuitos fechados, a filtração do ar, o controle
de pragas, fechamento hermético de embalagens, entre outros.
A
remoção de microrganismos e materiais estranhos do
leite pode utilizar filtração ou centrifugação.
Embora seja efetivo até certo grau, nenhuma prática
pode remover completamente microrganismos ou material estranho.
A remoção de resíduos e microrganismos é
essencial para a limpeza dos equipamentos.
A
inibição de microrganismos indesejáveis é
uma prática amplamente utilizada. As opções
incluem armazenamento a baixas temperaturas ou condições
de congelamento, adição de ingredientes como sal ou
açúcar, e processos fermentativos, onde microrganismos
indesejáveis são inibidos por um grande número
de organismos benignos.
A
destruição dos microrganismos é a última
medida, quando outras práticas falharam ou foram ineficazes.
Embora algumas tecnologias alcancem níveis próximos
da completa esterilidade do produto, não é sempre
praticada a destruição completa dos microrganismos
presentes.
Elementos
das Boas Práticas de Fabricação
As
Boas Práticas de Fabricação podem ser divididas
em seis elementos:
-
Fábrica e imediações;
- Pessoal;
- Limpeza e sanitização;
- Equipamentos e utensílios;
- Processos e controles;
- Armazenamento e distribuição.
As
Boas Práticas de Fabricação têm uma atuação
ampla e efetiva quando todos os elementos são incorporados.
O
elemento Fábrica compreende essencialmente o meio ambiente
exterior e interior. O meio ambiente exterior e interior precisam
ser administrados para prevenir a contaminação dos
ingredientes durante o processamento ou depois de transformado em
produto acabado. Exclusão é a palavra-chave. O meio
ambiente externo deve ser mantido livre de pragas. Os resíduos
devem ser apropriadamente isolados a periodicamente removidos do
local. A fábrica deve ser desenhada e construída para
acomodar estes procedimentos , sendo de fundamental importância
que o desenho interno e os materiais de construção
facilitem as condições sanitárias de processamento
e embalagem. As operações com os ingredientes básicos
devem ser isoladas das operações com o produto acabado.
O
elemento Pessoal é o mais importante entre os seis elementos.
As pessoas são a chave para planejar , implementar e manter
sistemas efetivos de Boas Práticas de Fabricação.
As verificações do Programa de Boas Práticas
de Fabricação devem ser feitas pelos funcionários
que trabalham diretamente com os vários processos. Consequentemente,
os funcionários precisam ser treinados nas práticas
de processamento e controle de processos que estão diretamente
relacionados com suas responsabilidades de trabalho. Um programa
de treinamento efetivo é um processo contínuo e, como
tecnologia ou mercado, em constante evolução. Os funcionários
devem seguir hábitos de higiene pessoal, incluindo-se roupas
apropriadas.
O
elemento Limpeza e Sanitização compreende programas
e utensílios usados para manter a fábrica e os equipamentos
em limpeza e em condições próprias de uso.
Remoção e destruição são as palavras-chave.
O
elemento Equipamentos e Utensílios compreende os aparelhos
grande s e pequenos, simples e complexos, que são utilizados
para transformar o leite cru, ingredientes, e aditivos no produto
final embalado. As considerações das Boas Práticas
de Fabricação incluem o material no qual equipamentos
e utensílios são construídos bem como seu desenho
e fabricação. Este elemento também inclui a
manutenção preventiva dos equipamentos para garantir
a entrega de alimentos com segurança e qualidade consistentes.
Exclusão via sistemas fechados é uma prática
efetiva.
O
elemento Processos e Controles inclui uma ampla gama de dispositivos
e procedimentos através dos quais o controle é exercido
de forma consistente. Os controles podem incluir dispositivos manuais
ou automáticos que regulam cada atributo, como temperatura,
tempo, fluxo, Ph, acidez, peso, etc. Inibição e Destruição
são práticas adotadas. Este elemento também
inclui sistemas de registro que contém informações
que documentam a performance do sistema de processamento turno por
turno, dia após dia.
O
elemento Armazenamento e Distribuição compreende a
manutenção de produtos e ingredientes em um ambiente
que proteja sua integridade e qualidade. Uma forma usual de controle
é a temperatura baixa, mas o ambiente de armazenagem e distribuição
também devem ser defendido da ameaça de pragas e poluição
ambiental.
Por
quê implantar BPF?
A
tendência do mercado para a aliança do preço
à qualidade dos produtos faz com que a Indústria de
Alimentos busque de uma forma mais efetiva o controle da qualidade
dos produtos que fabrica. Por outro lado, a portaria 1428/93 do
Ministério da Saúde estabelece um rigoroso controle
dos estabelecimentos ligados à cadeia produtiva de alimentos.
Em
fevereiro de 1998, o M.A.A. através da Portaria n°46
, institui o APPCC a ser implantado nas indústrias de produtos
de origem animal, sob regime do Serviço de Inspeção
Federal - SIF, adequando-se às exigências sanitárias
e aos requisitos de qualidade determinados tanto pelo mercado nacional
quanto pelas normas e padrões internacionais. A Portaria
salienta, ainda, a importância do Programa de Boas Práticas
de Fabricação dentro do Sistema APPCC.
As
normas que estabelecem as Boas Práticas de Fabricação
envolvem requisitos que vão desde projeto e instalações
do prédio, passando por rigorosas regras de higiene pessoal
e de limpeza e sanificação de ambiente e equipamentos,
controle integrado de pragas até a completa descrição
dos procedimentos envolvidos no processamento do produto.
A
metodologia proposta pelas BPF permite à empresa efetuar
levantamento de indicadores de desempenho fundamentais para o gerenciamento
do negócio. Os indicadores de qualidade são estruturados
no nº de reclamações de clientes, nº de
devolução de produtos, nº de produtos contaminados
ou, ainda , nº de superfícies contaminadas. Outro indicador
importante no processo é o de produtividade que pode ser
formado à partir de dados de recursos como nº de funcionários,
matéria-prima, energia elétrica, horas trabalhadas.
No início da implantação são estabelecidos
os indicadores de qualidade e produtividade, e acompanhados ao longo
da execução dos trabalhos. A análise destes
índices permite ao empresário visualizar o impacto
do programa em pilares fundamentais para a sobrevivência das
empresas no atual mercado, tais como:
-
oferta de produtos nos padrões de qualidade estabelecidas
em contrato de comercialização ou exigências
de portarias ministeriais;
- redução de custos operacionais oriundos de, por
exemplo, reclamações de clientes, reprogramação
de fabricação, horas ociosas de fábrica;
- redução de desperdícios;
- redução de retrabalhos e o que consideramos como
grande ganho, a sensibilização das empresas para a
mudança comportamental e de gestão das fábricas
(planejar, executar, monitorar e ajustar);
- aproveitamento de oportunidades de ampliação do
mercado, na medida que o mercado já exige a implantação
do programa pelas empresas fornecedoras de produto alimentício.
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: Saiba mais sobre Boas Práticas de Fabricação
.
: Sobre ACCPP (Análise de Perigos e Pontos Críticos
de Controle)
.
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