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Tudo
foi definido e concretizado com o desenvolvimento do Programa Espacial
Americano, a partir do final da década de 50, quando tiveram
início os vôos tripulados. Dada à necessidade
de garantir alimentos que não apresentassem riscos à
saúde dos astronautas, os órgãos e empresas
envolvidos no Projeto Espacial introduziram o conceito de HACCP
( Hazard Analysis and Critical Control Point), dando origem a um
sistema para garantir a segurança praticamente total aos
alimentos, sem a dependência exclusiva de amostragens e de
análises dos produtos finais. A partir daí, o sistema
consolidou-se cada vez mais entre as indústrias americanas
até que, no início da década de 80, passou
a ser recomendado pela National Academy of Science dos EUA, tendo
sido posteriormente referendado pela Comissão Codex Alimentarius
que, em 1993, reconheceu a importância do Sistema e passou
a recomendar a sua aplicação nas indústrias
de alimentos.
Hoje,
o Sistema HACCP constitui-se na ferramenta mais eficaz para garantir
a produção de alimentos seguros à saúde
dos consumidores, revelando-se como sistema lógico, prático,
sistemático, econômico e dinâmico para garantir
essa segurança.
No
Brasil, o Sistema HACCP passou a ser denominado oficialmente de
Sistema APPCC ( Análise de Perigos e Pontos Críticos
de Controle ), fazendo já parte de diversos documentos oficiais
que tratam dos aspectos ligados à Legislação
e à Vigilância Sanitária de Alimentos. Dentre
os documentos oficiais citados, destacam-se a Portaria n.º
1428/93 do Ministério da Saúde ( M.S ) e a Portaria
n.º 46/98 do Ministério da Agricultura e do Abastecimento
( M.A.A).
O
sistema simplifica as ações de segurança dos
alimentos, indicando poucas operações críticas
e chaves do processo, oferecendo formas eficientes para controlá-las
e monitorizá-las. Além de garantir maior grau de segurança
ao alimento produzido, a aplicação do sistema APPCC
facilita o trabalho dos gerentes e seus supervisores, bem como orienta
o trabalho dos manipuladores de alimentos.
Vantagens
do Sistema APPCC
- Oferece um alto nível de segurança aos alimentos;
- Contribui para a redução de custos, não só
por evitar análises do tipo "aceita/rejeita", mas
também por diminuir substancialmente a destruição
ou reprocessamento de produtos, o que corresponde a um aumento de
produtividade com qualidade e segurança.
- Por ser racional, contínuo e dinâmico, torna-se também
mais econômico, já que os recursos concentram-se nos
principais problemas e nas medidas preventivas associadas;
- Contribui para a consolidação da imagem e da credibilidade
da empresa junto aos clientes, o que aumenta sua competitividade
tanto no mercado interno como no externo.
- Existe também um ganho institucional: a auto-estima e a
importância do trabalho em equipe para os funcionários
da empresa, visto que as pessoas envolvidas passam a ter consciência
do que fazem e por que fazem, ganhando auto confiança e satisfação
por produzirem alimentos com alto nível de segurança.
- Como se não bastassem essas vantagens, existe ainda o aspecto
legal que envolve a implantação do Sistema APPCC nas
empresas, ou seja, as Legislações Sanitárias
de todos os países estão se modificando para, mais
cedo ou mais tarde, tornar o APPCC obrigatório a toda empresa
processadora de alimentos.
Com
relação a possíveis desvantagens na implantação
do Sistema APPCC, pose-se dizer que elas são meramente aparentes,
constituindo-se mais em obstáculos do que propriamente em
desvantagens. É fundamental que o empresário e sua
equipe estejam conscientes desses obstáculos para poderem
superá-los com mais facilidade.
As
crenças, os valores e os conceitos já enraizados nas
empresas e nas pessoas constituem uma das barreiras que dificultam
o reconhecimento da validade e da importância do Sistema.
Entretanto, como a equipe já deve ter vivenciado alguma situação
de falha de processo ou de operação, ela pode tornar-se
mais receptiva e participativa no processo, à medida que
lhe forem apresentados dados estatísticos sobre o problema.
É
fundamental que o empresário tenha em mente que a implantação
do Sistema APPCC, por si só, não soluciona os problemas
de segurança dos produtos. O sistema é muito eficiente
em fornecer indicações de como está o processo
e em provocar ações corretivas sistematizadas, em
etapas específicas. Entretanto, as decisões a serem
tomadas, em função das indicações do
Sistema, são de responsabilidade dos dirigentes e executores
do processo na empresa; todavia, se com as informações
recebidas as ações corretivas tornam-se imediatas,
os perigos para a segurança alimentar na produção
são prontamente controlados.
A
CNI, o SENAI e o SEBRAE, em sintonia com as ações
do MAA e MS, desenvolveram o Projeto APPCC e BPF, visando difundir
o Sistema para o meio empresarial, bem como propiciar a formação
de consultores especializados no Sistema e o treinamento de técnicos
das empresas de alimentos que aderirem ao Projeto.
Em
Minas Gerais o Projeto APPCC vem sendo desenvolvido nas indústrias
de laticínios através do Centro de Excelência
em Laticínios. O Programa é apresentado na forma de
consultoria e treinamento, preferencialmente implantado para grupos
de empresas, reduzindo assim seus custos de implantação
e objetivando a troca de experiência entre os participantes.
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: Sobre BPF - Boas Práticas de Fabricação
.
: Voltar para QUALIDADE
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